A consagração à mãe de todos os paraenses é uma devoção profunda, dedicada a Nossa Senhora de Nazaré, padroeira do Pará e da Amazônia.
Destinada a todos os fiéis que desejam a proteção de Nossa Senhora, essa prática pode ser feita por meio de uma oração específica que renova as promessas do Batismo, consagrando a vida e os momentos importantes à intercessão da Virgem Maria.
Toda a festa do Círio de Nazaré, um dos principais eventos do calendário de turismo religioso no Brasil, gira em torno à devoção popular por Nossa Senhora de Nazaré, carinhosamente chamada de Nazinha pelos paraenses e a padroeira do Pará e da Amazônia.
E no coração de cada devoto da Virgem de Nazaré está gravada a consagração à mãe de todos os paraenses.
É uma oração profunda e inspirada, que vale a pena conhecer e repetir.
Oração de consagração a Nossa Senhora de Nazaré
Faça você também a sua consagração a Nossa Senhora de Nazaré e confie a ela a sua vida, a sua família, a sua casa, o seu trabalho e as necessidades de tudo e todos os que são importantes para você:
Senhora de Nazaré, da antiga raíz de Jessé, da casa real de Davi, descendente de São Joaquim e Sant’Ana, sempre que a angústia, o medo e a solidão me abatem, me entrego em teus braços, ó Mãe.
Como criança carente, em busca de alívio, carinho e proteção, mergulho em teu Coração Imaculado e consagro a ti, querida Mãe, o meu passado e todas as minhas lembranças, o momento presente e todas as suas aflições, o meu futuro e a Vida Eterna que Deus me reserva no Céu.
O sacramento de Batismo, que um dia recebi, me tornou filho(a) de Deus e filho(a) teu(tua), ó Mãe. E fez-me também herdeiro(a) de Seu Reino.
Por isso, venho agora renovar diante de ti, ó Virgem de Nazaré, as promessas do meu Batismo.
E para que eu possa ser fiel a elas até o fim de minha vida, peço a tua intercessão junto ao teu filho Jesus.
Doce Senhora de Nazaré, a ti consagro agora as minhas aspirações, meus projetos, meus sonhos, minha missão, minhas realizações, tudo o que tenho e tudo o que sou.
Consagro, também, todos os dias restantes de minha vida terrena, pedindo por eles a tua intercessão e a tua bênção materna para que sejam dias serenos, cheios de paz e de muitas graças.
Quero também te consagrar desde já, Senhora de Nazaré, o momento de minha morte quando, por tuas mãos e amparada pelos braços de teu esposo São José, poderei finalmente ver teu rosto, abraçar teu Filho Jesus e contemplar a glória do Pai, no amor infinito do Espírito Santo.
Amém!
Pontos-chave da Consagração
- A consagração é um ato de fé e entrega a Nossa Senhora de Nazaré.
- Destina-se a todos os devotos, independente de idade, sexo ou posição social.
- Renova as promessas do Batismo.
- Serve para consagrar a vida, família, trabalho e missão à proteção da Virgem Maria.
- É realizada por meio de uma oração profunda e pessoal.
- Fortalece o vínculo na devoção popular, especialmente no Círio de Nazaré.
- Seus pontos-chave incluem fé, entrega e bênçãos maternas.
Origem da devoção

A devoção a Nossa Senhora de Nazaré tem origem em Portugal, onde o Santuário de Nossa Senhora de Nazaré é um dos mais antigos do país.
Em 1653, os padres Jesuítas vindos de Portugal iniciam a devoção a Nossa Senhora de Nazaré na localidade de Vigia de Nazaré, no estado do Pará.
Acredita-se que as primeiras imagens da Virgem de Nazaré veneradas no Brasil tenham sido trazidas de Portugal por esses missionários jesuítas, já que naquela época não havia santeiros habilitados naquela região para esculpirem essas imagens.
A tradição conta que a imagem de Nossa Senhora de Nazaré foi encontrada pelo caboclo Plácido José de Souza no ano de 1700, às margens do igarapé Murucutu.
Plácido levou-a para sua casa e no dia seguinte a imagem havia desaparecido. Ele voltou ao igarapé, onde a encontrou e voltou a levá-la para casa. Depois disso ter acontecido duas vezes, Plácido se convenceu de que a imagem deveria ficar junto ao igarapé e improvisou uma capelinha para abrigá-la.
Conforme o relato do encontro da imagem se espalhava, um grande número de pessoas passou a ir até o local, o que justificou a construção de uma capela de taipa e palha em 1720 e a igreja de Nossa Senhora de Nazaré do Desterro, construída em alvenaria no ano de 1861.
Em 1909 a igreja começou a ser substituída por uma maior, com projeto criado por arquitetos italianos inspirado na Igreja de São Paulo Fora dos Muros, em Roma e utilizando materiais de construção trazidos da Europa.
Em 1923 a então Paróquia Nossa Senhora de Nazaré do Desterro recebeu do Papa o título de Basílica Menor, sendo a terceira do Brasil e a primeira na região Norte do país.
O Círio de Nazaré

De modo geral, Círio é o nome dado a uma grande vela usada para encabeçar um procissão. No caso do Círio de Nazaré, a tradição tem início em 1793, quando o capitão geral do Rio Negro e Grão-Pará, Francisco de Souza Coutinho, que havia se tornado devoto de Nossa Senhora de Nazaré, ficou doente.
No meio do ano, o capitão ficou doente e fez uma promessa: se ficasse curado iria mandar levar a imagem de Nossa Senhora de Nazaré até a capela do Palácio, onde seria celebrada uma missa, presidida pelo capelão, Padre José Ruiz de Moura, e em seguida levaria a imagem em um palanquim de volta até a ermida, acompanhada pelo povo.
A graça foi alcançada e o capitão cumpriu sua promessa, com a celebração da missa e a realização de uma grande procissão, no dia 8 de setembro de 1793, sendo considerada como o primeiro Círio.
Á frente do cortejo seguiu a cavalaria e a imagem foi levada pelo capelão em um palanquim azul, ladeada pela guarda nobre. Estavam presentes o próprio capitão, o Cabido Diocesano, os vereadores da Câmara, todos os integrantes das Casas Civil e Militar e uma multidão de devotos, entre brancos, indígenas e negros que estima-se entre 5 e 10 mil pessoas. Chegando à ermida, foi celebrada outra missa e após foi concedida a bênção da pedra fundamental para a construção de uma nova capela, construída com pedras e cal.
Desde então, a festa se repete na segunda semana de outubro de cada ano, com as festividades durando vários dias. Em 2026 o Círio de Nazaré chega à sua 234ª edição e a procissão original foi multiplicada por doze, incluindo uma versão naval. Segundo a organização, cada festa do Círio reúne mais de dois milhões de pessoas.
Amadeu é jornalista, pesquisador e palestrante. Se especializou em turismo religioso, passando a ser uma das referências no Brasil sobre esse tema. Edita a revista eletrônica Viagens de Fé, única publicação brasileira focada em viagens religiosas, destinos religiosos, romarias e peregrinações.






