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Fórum Regional Sudeste de Turismo Religioso abre com grande sucesso discussão sobre regionalização do segmento

Painel de debates no Fórum Regional Sudeste de Turismo Religioso 2026, em Vitória, ES - foto Sebrae-ES

Terminou na última quinta-feira, 13 de agosto, em Vitória, a primeira edição do Fórum Regional Sudeste de Turismo Religioso.

Promovido pelo SEBRAE-ES e pela Fecomércio-ES, o encontro integra a iniciativa dos Fóruns Regionais do Fórum Nacional de Turismo Religioso de debater regionalmente temas como desenvolvimento territorial, governança, mercado e espiritualidade.

Com o tema “Peregrinos e Destinos: A Força da Espiritualidade no Turismo do Sudeste”, o Fórum reuniu em Vitória representantes do Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, além de lideranças religiosas, gestores públicos, empresários, pesquisadores, empreendedores e profissionais do trade turístico.

A programação colocou em debate a governança, a inovação, o mercado, o desenvolvimento econômico, a estruturação de produtos, as experiências, a integração territorial e o posicionamento dos destinos religiosos.

Mais do que promover um encontro técnico, o Fórum colocou sobre a mesa uma questão estratégica: como fazer com que o turismo religioso deixe de ter apenas destinos isolados e passe a construir redes regionais de fé?

O desafio do turismo religioso

Sidnésio Moura palestra no Fórum Regional Sudeste de Turismo Religioso, em Vitória, ES - foto Sebrae ES
Sidnésio Moura

O turismo religioso brasileiro vive um momento em que crescer já não é suficiente. É preciso organizar, integrar e qualificar.

Em um país de dimensões continentais, marcado por diferentes expressões de fé, peregrinações, santuários, festas, patrimônios e manifestações culturais, o grande desafio passa a ser transformar essa riqueza em destinos estruturados, conectados e capazes de operar em escala regional.

Como comprovado no evento realizado na capital do Espírito Santo, grande parte dos destinos e atrativos no Brasil ainda desconhecem os diversos benefícios gerados pelo turismo religioso e deixam de aproveitar o seu potencial para impulsionar a economia local, fazer negócios existentes crescerem, gerar novos negócios e empregos e ajudar a fixar a mão-de-obra.

Fóruns Regionais, regionalização e integração

A criação dos Fóruns Regionais de Turismo Religioso amplia, nas cinco regiões brasileiras, a iniciativa do Fórum Nacional de Turismo Religioso, permitindo que cada território discuta suas particularidades antes de integrar uma agenda nacional.

O Brasil não possui uma única realidade de turismo religioso. Cada região do país tem características distintas. E mesmo dentro das próprias regiões, há diferenças históricas, culturais, religiosas e econômicas que precisam ser consideradas.

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Por isso, regionalização não pode significar simplesmente reunir municípios em um mapa. Regionalizar significa criar conexões.

Significa fazer com que destinos conversem entre si, aproximar o poder público, a iniciativa privada, as instituições religiosas, a academia e a sociedade civil, estimular roteiros integrados, compartilhar fluxos turísticos e construir produtos turísticos capazes de fazer que o visitante permaneça por mais tempo, conhecendo melhor o destino e consumindo.

O Fórum Regional Sudeste de Turismo Religioso – FORSETUR foi concebido justamente para fortalecer redes de cooperação, integrar os atores envolvidos no turismo religioso e contribuir para o desenvolvimento sustentável dos destinos da Região Sudeste.

Os Fóruns Regionais não surgem para substituir o Fórum Nacional de Turismo Religioso ou diminuir a sua importância. Pelo contrário, eles representam uma ampliação de sua capilaridade.

A proposta é permitir que o debate nacional chegue às regiões e, ao mesmo tempo, fazer com que as experiências, dificuldades e soluções encontradas regionalmente retornem fortalecidas à discussão nacional.

É a construção de uma via de mão dupla: o evento Nacional fortalece os Regionais e estes, por sua vez, levam o seu conteúdo para o Nacional.

Primeiro dia: turismo religioso como vetor de desenvolvimento econômico e sustentabilidade

O primeiro dia do Fórum deixou clara a necessidade de se passar a ver o turismo religioso não só sob a ótica da fé e devoção, mas como um poderoso vetor de desenvolvimento econômico, melhorias da infraestrutura e sustentabilidade para as cidades da região Sudeste.

O turismo religioso é uma das maiores expressões de fraternidade universal e diálogo. Ele conecta a experiência espiritual à contemplação da beleza histórica, além de atuar como uma ferramenta de justiça social, combate à pobreza e preservação ambiental ao movimentar a economia local e valorizar o patrimônio”, declarou Dom Ângelo Mezzari, titular da Arquidiocese de Vitória, que aproveitou o Fórum para anunciar a criação da Pastoral de Turismo em sua jurisdição.

O superintendente do SEBRAE-ES, Pedro Rigo, destacou o papel da entidade na estruturação do segmento no estado: “O turismo religioso conecta o negócio à fé das pessoas. O Espírito Santo possui uma riqueza histórica e espiritual enorme, e o papel do SEBRAE é apoiar o trade para transformar esse patrimônio em oportunidade, desenvolvimento e bem-estar, promovendo o estado como um destino estruturado para o turismo de experiência”.

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O turismo religioso no Brasil precisa de um olhar técnico, científico e mercadológico. As lideranças religiosas entendem a dimensão espiritual, o poder público cuida da gestão e o trade entende de negócios. Nosso papel é juntar essas engrenagens em um único ambiente para que o setor funcione e avance com governança”, resumiu o especialista Sidnésio Moura, consultor do SEBRAE e diretor executivo do Fórum, em sua palestra “Peregrinos e destinos: a força da espiritualidade no turismo do Sudeste”.

O interessante painel “Destinos que inspiram”, mediado pelo Padre Márcio Almeida, reitor da Basílica São Miguel Arcanjo, teve como painelistas frei Gabriel Dellandrea, reitor do  Convento da Penha, Jonatas Veloso, gerente de turismo do Santuário Nacional de Aparecida, o monge Kendo Bitti, do Mosteiro Zen de Ibiraçu, Érica Semião, da organização da Festa da Penha e Ana Alcantara, Secretária de Turismo de Congonhas (MG), com interessantes contribuições sobre o tema.

Thiago Akira palestra no Fórum Regional Sudeste de Turismo Religioso, em Vitória, ES - foto Sebrae ES
Thiago Akira

Thiago Akira, especialista em marketing digital e inteligência de destinos, foi incisivo ao analisar o turismo religioso:  “O viajante contemporâneo não quer apenas visitar um lugar, ele busca voltar para casa melhor do que saiu. O grande diferencial dos destinos e do turismo religioso está em comunicar essa capacidade de transformação pessoal, de pausa e de reconexão”.

Segundo ele, aumenta o número de pessoas que buscam rotas de fé não apenas pelo aspecto devocional, mas como uma resposta à exaustão do mundo moderno, através de viagens em rítmo mais lento e na busca de desaceleração, reflexão e reconexão.

O último painel do dia, “Governança que Transforma”, destacou a importância de unir a gestão da Igreja, o resgate da memória histórica e o envolvimento das comunidades locais para a sustentabilidade dos destinos de turismo religioso.

Segundo dia: destaque para os benefícios do turismo religioso
Amadeu Castanho palestra no Fórum Regional Sudeste de Turismo Religioso, em Vitória, ES - foto Sebrae ES
Amadeu Castanho

No segundo dia do Fórum, o especialista em turismo religioso Amadeu Castanho, editor da Viagens de Fé, destacou o ser humano como grande beneficiado pelas viagens de fé e de devoção, que movimentam a economia, fazendo crescer os negócios já existentes, gerando novos negócios e empregos, impulsionando a qualificação da força de trabalho e evitando a migração de jovens.

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Essa colocação foi reforçada pelo padre Omar Raposo, reitor do Santuário do Cristo Redentor, do Rio de Janeiro, que compartilhou os resultados do estudo de impacto socioeconômico do Cristo Redentor, desenvolvido pela Fundação Getulio Vargas (FGV) a pedido da Arquidiocese do Rio de Janeiro.

Compreender o impacto econômico do patrimônio religioso é a chave para uma governança de sucesso. O estudo que realizamos comprovou que o Cristo Redentor injeta R$ 1,4 bilhão por ano na economia do Rio e retém o turista por mais tempo na cidade, provando que fé, preservação e desenvolvimento sustentável caminham juntos”, afirmou o religioso, que lembrou que os dados da FGV permitiram atrair o apoio do Sistema S e de patrocinadores privados, se refletindo em desenvolvimento sustentável, renda e projetos de inclusão social.

Joel Prado palestra no Fórum Regional Sudeste de Turismo Religioso, em Vitória, ES - foto Sebrae ES
Joel Prado

Ao abordar o Marketing para instituições e destinos religiosos, Joel Prado Neto, gerente de marketing da Canção Nova, pontuou: “No turismo religioso, o ‘produto’ não é o espaço físico ou o preço, mas sim a experiência transformadora que o destino oferece. Quando entregamos acolhimento, estrutura e verdade, o peregrino deixa de ser apenas um visitante e se torna um embaixador do destino”.

No último dia do Fórum Regional Sudeste de Turismo Religioso, os participantes puderam conhecer os principais atrativos religiosos do Espírito Santo, optando por dois roteiros.

O primeiro, focava no patrimônio jesuítico, com a igreja dos Reis Magos, em Nova Almeida, e o Santuário Nacional de São José de Anchieta, em Anchieta. E o segundo, no patrimônio religioso com o Convento da Penha e as igrejas de Nossa Senhora do Rosário e de Nossa Senhora da Glória.

A Viagens de Fé tem o orgulho de ser apoiadora do Fórum Nacional de Turismo Religioso e dos Fóruns Regionais de Turismo Religioso.

Amadeu Castanho, jornalista especializado em turismo e Editor da Viagens de Fé, publicação focada em turismo religioso

Amadeu é jornalista, pesquisador e palestrante. Se especializou em turismo religioso, passando a ser uma das referências no Brasil sobre esse tema. Edita a revista eletrônica Viagens de Fé, única publicação brasileira focada em viagens religiosas, destinos religiosos, romarias e peregrinações.

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