O turismo religioso brasileiro vive um importante movimento de amadurecimento. Além das peregrinações, festas, santuários, caminhos e manifestações de fé que mobilizam milhões de pessoas, cresce também a compreensão de que o segmento precisa de governança, planejamento, formação, mercado e diálogo permanente entre aqueles que fazem parte dessa atividade.
Muito desse debate ganhou espaço nacional a partir do Fórum Nacional de Turismo Religioso, que foi realizado pela primeira vez em 2017 e que, em 2026, chega à sua oitava edição, reunindo notórios especialistas nacionais e internacionais nesse segmento e com abrangendo todo o território nacional.
Sob a liderança do turismólogo e especialista Sidnésio Moura, o encontro construiu uma identidade singular no cenário brasileiro ao reunir, exclusivamente em torno do turismo religioso, lideranças religiosas, o poder público, a iniciativa privada, a academia, destinos, santuários e o trade turístico.
Essa característica fez do Fórum a única bússola do Brasil apontada exclusivamente para o turismo religioso.
Mais do que uma vitrine de destinos e experiências, tornou-se um ambiente próprio de discussão técnica, científica e de mercado do segmento, criando conexões entre quem acolhe o peregrino, quem administra os destinos, quem pesquisa, quem estrutura políticas e quem transforma experiências em produtos turísticos.
Uma construção que alcançou as cinco regiões
A atuação ganhou nova dimensão com os Fóruns Regionais de Turismo Religioso Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, que integram a estrutura própria concebida a partir do Fórum Nacional, sempre com Sidnésio Moura à frente de sua articulação.
A regionalização permite aproximar a discussão das diferentes realidades brasileiras sem perder a unidade nacional. Afinal, cada região possui suas próprias peregrinações, manifestações religiosas, patrimônios, comunidades e desafios.
O objetivo não é simplesmente reproduzir um evento, mas criar espaços especializados capazes de aproximar Igreja, turismo, poder público, iniciativa privada, academia e sociedade em cada território.
O exemplo mais recente ocorreu no Espírito Santo, com o Fórum Regional Sudeste de Turismo Religioso (FORSETUR). Realizado entre 11 e 13 de agosto, o encontro reuniu representantes dos quatro estados do Sudeste e contou com a correalização do SEBRAE/ES e do Sistema Fecomércio-ES, por meio do Sesc e do Senac.
A participação dessas instituições fortaleceu tanto a estrutura do encontro quanto a acolhida e a logística necessária para receber palestrantes e participantes, permitindo ao Espírito Santo exercer com excelência o papel de destino anfitrião.
O resultado mostrou a força da proposta regional: além de palestras e discussões, o FORSETUR trabalhou a governança, a inovação, o mercado, a espiritualidade, a integração dos destinos e as experiências no próprio território capixaba, fazendo com que o evento também se transformasse em um instrumento de promoção do turismo religioso do estado.
O debate começa a ganhar novos territórios
Paralelamente à expansão dos Fóruns Regionais, outro movimento chama a atenção: novos encontros dedicados ao Turismo Religioso vêm surgindo em diferentes municípios brasileiros.
Em julho, Passos, em Minas Gerais, realizou o 1º Fórum de Turismo Religioso de Passos e Região, promovido pelo Sebrae Minas e pela administração municipal. O encontro reuniu especialistas, empreendedores, lideranças religiosas e gestores para discutir temas como governança, políticas públicas, hospitalidade, marketing e estruturação de produtos.
Sidnésio Moura foi um dos convidados para conduzir, justamente, a discussão sobre governança aplicada ao turismo religioso no evento.
Em São Paulo, Laranjal Paulista também prepara um encontro dedicado ao segmento. São movimentos locais, construídos a partir das necessidades e características de seus próprios territórios, que demonstram algo maior: a discussão sobre turismo religioso, antes concentrada em poucos espaços especializados, começa a conquistar novos ambientes pelo Brasil.
Essa movimentação deve ser celebrada. Quanto mais destinos compreenderem a necessidade de discutir profissionalmente suas potencialidades religiosas, envolver suas lideranças e organizar seus produtos, mais fortalecido estará o turismo religioso brasileiro.
Identidade própria e uma influência que ultrapassa o evento

Nesse cenário, é importante compreender a singularidade da construção formada pelo Fórum Nacional de Turismo Religioso e pelos Fóruns Regionais do Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.
Trata-se de uma estrutura própria, com identidade, trajetória e direcionamento exclusivamente dedicados ao segmento.
Os Fóruns Regionais não surgem para substituir o Fórum Nacional de Turismo Religioso ou diminuir a sua importância. Pelo contrário, eles representam uma ampliação de sua capilaridade.
A proposta é permitir que o debate nacional chegue às regiões e, ao mesmo tempo, fazer com que as experiências, dificuldades e soluções encontradas regionalmente retornem fortalecidas à discussão nacional.
Os encontros que começam a surgir nos municípios seguem suas próprias organizações, propostas e realidades territoriais.
O fato relevante é perceber que o crescimento dessas iniciativas ocorre justamente em um momento em que o turismo religioso conquistou maior espaço de discussão e passou a ser tratado com mais atenção sob as perspectivas da governança, da formação e do desenvolvimento dos destinos.
É uma demonstração positiva de que uma discussão iniciada nacionalmente pode ganhar novos sotaques, formatos e protagonistas quando chega aos territórios.
2027 ampliará a presença dos Fóruns Regionais
A expansão continuará no próximo ano. A agenda de 2027 prevê novas edições dos Fóruns Regionais Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, fortalecendo a presença territorial dessa construção e ampliando a integração entre as regiões.
As datas e os destinos anfitriões serão anunciados durante a 8ª edição do Fórum Nacional de Turismo Religioso, que acontecerá de 24 a 26 de novembro, em Congonhas, Minas Gerais.
Será um momento importante não apenas para apresentar o calendário seguinte, mas também para reunir novamente o Brasil em torno de uma agenda dedicada exclusivamente ao segmento.
Congonhas será o ponto de encontro do Turismo Religioso no Brasil em 2026

Quando o Fórum Nacional chegar a Congonhas, encontrará um cenário bastante diferente daquele em que a iniciativa nasceu. Hoje, o turismo religioso ocupa mais espaço nas discussões; novos destinos começam a olhar para sua governança e encontros locais aparecem em diferentes partes do país.
Isso ajuda a dimensionar a contribuição de uma iniciativa que, desde sua origem, escolheu olhar exclusivamente para esse segmento.
Em novembro, Congonhas será a grande vitrine dessa construção, reunindo lideranças religiosas, destinos, santuários, gestores, academia e mercado, além de convidados internacionais. Será também o espaço onde a próxima etapa dos Fóruns Regionais começará a ser apresentada ao Brasil.
Depois de anos apontando exclusivamente para o turismo religioso, o Fórum Nacional de Turismo Religioso mostra que uma bússola pode fazer mais do que indicar uma direção:pode abrir caminhos, conectar territórios e inspirar todo um segmento a avançar.
Amadeu é jornalista, pesquisador e palestrante. Se especializou em turismo religioso, passando a ser uma das referências no Brasil sobre esse tema. Edita a revista eletrônica Viagens de Fé, única publicação brasileira focada em viagens religiosas, destinos religiosos, romarias e peregrinações.







