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Segmento de turismo religioso tem perspectivas animadoras

Amadeu Castanho* 

Apesar de ser pouco valorizado por agências de turismo e autoridades governamentais, o segmento de turismo religioso tem mostrado uma saúde invejável, com crescimento do número de praticantes ano após ano, tanto no Brasil quanto no Exterior. Nem a pandemia de coronavírus foi capaz de conter esse crescimento: após uma pausa obrigatória devido às medidas de isolamento, os números têm continuado a evoluir.

Depois de ter recebido um volume recorde de 12.996.818 visitantes em 2017, número depois reduzido a pouco mais de três milhões em 2020, no pico da epidemia de coronavírus, o Santuário Nacional de Aparecida vem se recuperando a cada ano, chegando a 9.057.885 visitantes em 2024 e fechando 2025 com 10.486.118, com um crescimento da ordem de .

No entanto, embora esse crescimento constante seja animador, esse volume ainda é inferior ao registrado no período entre 2011 e 2019, quando o movimento de visitantes foi superior a 10,5 milhões todos os anos, chegando a 12.996.818 pessoas em 2017.

Novos destinos, templos e atrativos oferecem novas opções e prometem ajudar a fazer crescer o volume de praticantes de turismo religioso. Um exemplo é o novo Caminho Iniciático de Santiago de Compostela, no Paraná, que tem chancela oficial da Ordem do Camino de Santiago, da Espanha, e permite que quem pretende fazer o célebre caminho europeu explore um trecho do oeste paranaense e já chegue à Europa com experiência.

Um outro é o Santuário Turístico de Senhora Santana, em Santana de Ipanema, Alagoas, com uma imagem de 57 metros de altura, deve ser oficialmente inaugurado ainda este ano. No sul do estado de São Paulo, a imagem de São Miguel Arcanjo, com 70 metros de altura, já atrai visitantes embora só deva ser concluída no final do ano. Na região do Sertão, na Paraíba, o belo Santuário de Deus Pai Todo Poderoso, que demorou onze anos para ser construído no alto de um monte, também já atrai visitantes.

As principais festas religiosas do Brasil vem atraindo quantidades cada vez maiores de participantes: a Festa do Divino Pai Eterno atraiu em 2025 4,3 milhões de romeiros a Trindade, em Goiás, número 15% superior ao apurado em  2024, enquanto a Festa da Penha, no Espírito Santo, registrou mais de 2,7 milhões de participantes e o Círio de Nazaré, em Belém, teve mais de 2,5 milhões de fiéis homenageando Nossa Senhora de Nazaré em só uma de suas 14 procissões.

No Exterior, depois de bons números registrados no ano passado, quando os Museus Vaticanos receberam 6,93 milhões de visitantes e o Santuário de Fátima alcançou 6,47 milhões de peregrinos, as expectativas também são de crescimento.

Na França, a Catedral de Notre Dame de Paris recebeu mais de onze milhões de visitantes durante 2025, após ter sido quase destruída por um incêndio em 2019, se tornando a atração turística mais visitada da capital francesa. A perspectiva é de que mais de doze milhões de pessoas a visitem em 2025.

Em Barcelona, segunda cidade mais visitada por turistas na Espanha, o atrativo mais visitado já é a Basílica da Sagrada Família, que fechou o ano passado com 4.877.567 visitantes, dos quais só 12,9% moravam na Espanha. A Torre de Jesus Cristo, maior de suas 18 torres, deve ser concluída este ano, marcando o término de 144 anos de obras.

Segundo a empresa de consultoria Vantage Market Research, o mercado global de turismo religioso foi avaliado em US$ 268,5 bilhões em 2024 e deve chegar a US$ 1,29 bilhões até 2035, com uma taxa de crescimento anual composta de 15,40% entre 2025 e 2035. Desse total, o segmento católico respondeu por 24,5% da receita, praticamente um quarto do total, liderando o mercado mundial de turismo religioso.

A consultoria aponta quatro principais tendências que devem marcar o turismo religioso nos próximos anos: aumento da busca de experiências autênticas e imersivas que conectem os viajantes com tradições e práticas religiosas; maior ênfase em práticas de turismo sustentável e responsável; maior interesse em conhecer e entender crenças e práticas de outras religiões e, finalmente, uso da tecnologia para aprimorar a experiência do turismo religioso com visitas virtuais, aplicativos de realidade aumentada e exposições interativas.

* O pesquisador, consultor e jornalista Amadeu Castanho é especialista em turismo religioso e editor da revista eletrônica Viagens de Fé

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