capa do blog sobre viagens religiosas
 
Ainda não sei bem como acabei me interessando pelo turismo religioso. De qualquer modo, fica cada vez mais claro que ele não é como uma viagem qualquer. Que, para ser plenamente aproveitado, ele exige uma postura diferente do viajante.
Como escrevi no “post” anterior, aprendi com a minha experiência na vigília à espera do Papa Francisco em Aparecida que não basta participar. Antes de mais nada, uma viagem religiosa precisa ser vivida. E, a cada dia que passa, tenho mais certeza disso.
Em termos de viagens em geral, aprendi que o verbo viajar tem um significado equivalente e tão profundo quanto experimentar. Viajar se conjuga no corpo e na mente, usando todos os sentidos: visão, audição, olfato, gustação e daí por diante.
Há que se entregar, mergulhar, viver no seu significado mais amplo e profundo. Caso contrario, é só ir, só estar, só comparecer, uma mera mudança de cenário.
Ao longo de muitos anos, conheci muitos países e culturas e aprendi que viajar implica em viver, experimentar, degustar, sentir, sair -um pouco que seja- do seu ponto de conforto e olhar o novo, arriscar um pouco. Viajar implica em sair de casa de corpo e – principalmente – de mente.

Viajar precisa enriquecer-se de novas experiências, testar o paladar com comidas do lugar, conhecer a cultura local, misturar-se – na medida do possível – com a população local, deixar o som da língua ou do sotaque encher os ouvidos. Talvez eu seja um pouco radical nisso, mas prefiro deixar para comer o meu arroz feijão quando estou em casa e não quando estou longe dela.
E em termos de uma viagem religiosa, tudo isso se aplica – e vai além. É preciso estar preparado para viver uma verdadeira experiência religiosa e não só levar o corpo até o destino escolhido, “carimbar o passaporte”, ir sem estar. Muito mais do que em uma viagem comum, é preciso ir desarmado, de  espírito aberto. É essencial se abrir, se deixar tocar, pois – tenha certeza – isso vai acontecer.

Recentemente, enquanto me preparo para viajar para o Pará para fazer a cobertura do Círio de Nazaré, li um texto escrito por Dom Alberto Taveira, Arcebispo de Belém que reforçou ainda mais o meu ponto de vista. Nesse texto, ele ensina:

Esta fé é para ser vivida e testemunhada.(…)  Ninguém venha para o Círio como espectador. Turista não se sente bem! Só desfruta o Círio quem tem coração simples, quem aposta no que vê e descobre o que não vê.

Aprendi a viajar com a máquina fotográfica pronta para registrar tudo o que for novo, bonito, diferente. Só que desta vez, já avisei os meus anfitriões que pretendo deixá-la de lado.
Quero viver em profundidade a experiência do Círio. Quero me deixar tocar. Quero deixar a emoção aflorar. Tenho certeza absoluta de que vou me emocionar e chorar – e muito. Quero conhecer mais de perto Nossa Senhora de Nazaré e deixa-lá entrar mais na minha vida.
Aqui entre nós, confesso que só de examinar as imagens para ilustrar as matérias  e de assistir os vídeos sobre o Círio, não tenho contido as lágrimas. Que bom!
Na volta, prometo contar como foi. Não sei se vou conseguir transmitir tudo o que vou sentir, mas prometo me esforçar.
Quanto a você, mesmo que não concorde com o ponto de vista que a experiência me deu, experimente fazer desse modo na sua próxima viagem.
Mergulhe, vá fundo, se abra, aproveite as oportunidades que aparecerem, experimente, viva, deixe-se ser tocado(a)…
Posso dizer, quase com certeza, que nessa viagem Deus vai lhe dar algo único e especial, que você vai guardar com carinho para o resto da vida.
 
Amadeu Castanho