Círio de Nazaré, Belé, Pará

Círio de  Nazaré  –  A fé que move mais de 2 milhões de pessoas pelas ruas de Belém

 

Benigna Soares, com Jeferson Höenisch e Wanderson Curcino

 
Um lugar único no planeta que reúne maravilhas naturais e culturais, culinária encantadora, riquezas históricas, um imaginário, além de um povo acolhedor de um calor humano único e generoso. Assim é o Pará, a obra prima da Amazônia. É neste cenário que acontece todos os anos, no segundo domingo de outubro, na capital paraense, o Círio de Nossa Senhora de Nazaré.
O evento, considerado a maior manifestação de fé católica do Brasil, é cercado de simbolismos e peculiaridades: um misto de cultura, história, demonstração da marcante religiosidade do povo da região. O motivo é que Nossa Senhora de Nazaré é a padroeira dos pescadores, dos paraenses, da Amazônia.
O evento mais significativo em termos de turismo no Pará acontece em Belém, capital do estado, que praticamente vive e respira o Círio o ano inteiro.
Quando a festa se aproxima, em meados do dia 15 de setembro, se percebe o quanto ela é importante para a cidade e para a Amazônia como um todo, em diversos sentidos, dentre eles o econômico, já que a movimentação no comércio chega a ser até maior do que o Natal.
É por isso que para muitos, o Círio é considerado o “Natal dos paraenses”, não no sentido propriamente religioso, mas por tudo o que a festa proporciona, especialmente quanto ao encontro e confraternização das famílias.
Belém, como principal porta de entrada da Amazônia, é o centro de convergência cultural da região, contendo mostras de tudo o que é vivido por quem habita a região mais rica do planeta, guardiã de quase Belém, como principal porta de entrada da Amazônia, é o centro de convergência cultural da região, contendo mostras de tudo o que é vivido por quem habita a região mais rica do planeta, guardiã de quase “Quadra Nazarena”, que essa preparação ganha
Belém, como principal porta de entrada da Amazônia, é o centro de convergência cultural da região, contendo mostras de tudo o que é vivido por quem habita a região mais rica do planeta, guardiã de quase  maior importância.
O Círio é hoje o principal evento de atração turística ao Pará e transcende o sentido religioso, ocupando lugar também de destaque nos ramos cultural e econômico, abrangendo todos os setores na cidade. Com 219 anos de tradição, o Círio de Nazaré faz parte do calendário nacional como uma das maiores festas religiosas do mundo
A festa também é responsável pela difusão da culinária paraense, já que as iguarias gastronômicas mais tradicionais têm a ver com a realização do Círio e o tradicional almoço depois da grande procissão.
Maniçoba e pato no tucupi são os pratos principais do cardápio da reunião das famílias e o cheiro dos ingredientes toma conta de toda a cidade dias antes da festa.
Entre os 2 milhões de romeiros que participam do Círio no domingo e que tomam conta das ruas de Belém, de acordo com dados do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos do Pará (Dieese), mais de 76 mil são turistas oriundos de diversos países e outros estados do Brasil.

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[pullquote]Com 219 anos de tradição, o Círio de Nazaré faz parte do calendário nacional como uma das maiores festas religiosas do mundo.[/pullquote]

O Círio em si, acontece apenas na manhã do segundo domingo de outubro, mas a programação oficial na verdade envolve 11 romarias com mais de 100km de percurso, se somadas, e uma grande maratona de visitas da imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré em Belém e a outros estados que também realizam o Círio, como Rio de Janeiro e Minas Gerais, Amazonas e Amapá.
A programação é aberta ainda na quarta-feira que antecede a grande procissão, com a inauguração da decoração da Praça Santuário, da iluminação dos arcos e da Basílica Santuário de Nazaré, da feira de artesanato e do tradicional arraial.
Na quinta-feira, acontece o lançamento do manto que adorna a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, uma verdadeira jóia que é trocada todos os anos e é considerada um dos ícones da festa. No mesmo dia acontece um grande concerto mariano na Basílica Santuário.
Sexta-feira, ainda de madrugada, começam a chegar os romeiros de diversos municípios que caminham dezenas de quilômetros até Belém como forma de pagar suas promessas.
Em frente à Basílica Santuário tem início a primeira das 11 romarias, o traslado para Marituba e Ananindeua, municípios na região metropolitana de Belém. É a mais extensa romaria, chegando a percorrer cerca de 110 km, com diversas paradas para receber homenagens.
A imagem segue em um carro da Polícia Rodoviária Federal cercada por outros carros, motocicletas e bicicletas e emociona os fieis que aguardam a passagem da imagem em calçadas e passarelas, especialmente na principal via de acesso a Belém, a Rodovia BR316.
Depois de uma noite de vigília, a imagem segue nas primeiras horas da manhã de Ananindeua para Icoaraci, distrito de Belém, na Romaria Rodoviária. Na orla do distrito, depois de uma missa campal, tem início a Romaria Fluvial, pelas águas da baía do Guajará, seguida por centenas de embarcações de diversos tamanhos, todas enfeitadas.
Esta romaria é uma das mais novas do calendário, criada na década de 1990 pelo então presidente da Paratur, Carlos Rocque.
Já na orla de Belém, a imagem é recebida com honras de Chefe de Estado. Tem início então outra romaria, a dos motociclistas, que conduz a imagem até o Colégio Gentil Bittencourt, onde na parte da tarde uma missa dá início à Trasladação.
Com percurso inverso ao do Círio, a Trasladação possui praticamente os mesmos elementos da grande romaria, sendo que à noite, quando a temperatura é mais amena e também conta com as luzes das velas carregadas pelos fieis até a Catedral Metropolitana.
Na manhã do segundo domingo de outubro um verdadeiro mar de gente toma conta das ruas de Belém para a passagem da berlinda enfeitada que conduz a imagem peregrina.
A programação dura ainda mais duas semanas, com a realização das demais romarias e também de diversos eventos ligados à festa, encerrando com um espetáculo com fogos de artifício à noite e na manhã seguinte a realização da última e mais curta romaria, o Recírio.
Quem vem ao Pará para o Círio, precisa mesmo conhecer o que o estado tem mais para oferecer e desfrutar das maravilhas dessa verdadeira obra prima da Amazônia
 

Nota do Editor: Para enriquecer nossa série de matérias de turismo religioso sobre o Círio de Nazaré, achei interessante mostra-lo para você visto por mais de um ângulo. Daí este artigo escrito por paraenses, que aborda o Círio como coisa da terra, ligada à gente, aos costumes e às tradições da Amazônia, esse pedaço tão rico quanto pouco conhecido do Brasil.

 

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