Fuga para o Egito - Acervo Governo do Estado de São Paulo

Fuga para o Egito – Acervo Governo do Estado de São Paulo


As obras de arte sacra também são uma forma de se aproximar de Deus e observar esse tipo de obra de arte pode ser considerado também uma forma de turismo religioso. Uma sugestão interessante para quem vai a Campos do Jordão ou está no Vale do Paraíba, o Vale da Fé, é visitar a mostra Rosa dos Ventos – Arte Colonial no Acervo dos Palácios do Governo, no Palácio Boa Vista, em Campos do Jordão.
Promovida pela Curadoria do Acervo dos Palácios, órgão vinculado à Casa Civil, a mostra estará aberta ao público no período de 03 de julho a 02 de outubro. Com curadoria de Maria Alice Milliet e Dalton Sala, a exposição exibe obras do período colonial (séculos 16 ao 18), como mobiliário, talha, pintura, imaginária, objetos de porcelana, tanto sacros quanto profanos, provenientes dos Palácios dos Bandeirantes, Boa Vista, do Horto e dos Campos Elíseos.
Oratório - Acervo Governo do Estado de São PauloA exposição está dividida em quatro núcleos: no primeiro, na sala de entrada, o visitante vai conhecer um conjunto eclético que ilustra a abertura do império português para o mundo e o comércio com o Oriente: mobiliário indo-português, porcelanas chinesas, cassone ou arcaz italiano, as duas talhas portuguesas que trazem em relevo os apóstolos Pedro e Paulo, entre outras peças. A tela do holandês Gillis Peeters, de 1637, imagem-síntese desta época de navegações e conquistas, é o destaque do núcleo.
No segundo núcleo, estão expostos dois oratórios policromados, três imagens religiosas em barro cozido, um pequeno arcaz de sacristia, um fragmento de talha dourada do século XVII que pertenceu à Igreja do Colégio dos Jesuítas da Bahia e gravuras de Johann Moritz Rugendas.
O terceiro ambiente busca recriar um ambiente conventual, para recordar a presença das ordens religiosas no mundo colonial. De um lado, alinha-se um cadeiral usado por monges ou frades encimado por quadros cusquenhos provenientes das oficinas andinas.
Imagem policromada - Acervo Governo do Estado de São PauloJá o último núcleo, no pavimento superior do Palácio, apresenta obras que caracterizam o barroco luso-brasileiro, que se desenvolveu no século XVIII, como, por exemplo, pintura do pintor mineiro Manuel da Costa Ataíde. Nesse espaço, estão expostas também duas credências, um banco de sacristia e anjos tocheiros.
A Curadora do Acervo, Ana Cristina Carvalho, explica que a coleção de arte colonial dos Palácios do Governo, composta de mais de mil peças de mobiliário religioso e civil, imagens sacras, pinturas e objetos artísticos, foi formada a partir das aquisições na primeira metade do século XX – como as imagens e pinturas mais antigas, provenientes do Palácio dos Campos Elíseos – e complementada nos anos 1970.
Ela destaca também que “nesse período, foi constituído um grupo de especialistas para indicar obras relevantes que pudessem formar uma expressiva coleção para o Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, e o Boa Vista, em Campos do Jordão. A política de aquisição de obras de arte da época privilegiou a formação de uma expressiva coleção de oratórios, mesas, bancos, arcazes, baús, objetos de porcelana chinesa e uma série de mais de 60 pinturas de arte cusquenha”